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Tiago vs. Paulo: Salvação pela Graça ou através de Obras?
A Salvação está relacionada apenas a fé em Cristo, ou em fé mais obras?
Esta é uma das perguntas mais importantes, que deve ser respondida quando os cristãos testemunham aos adeptos de seitas.
As seitas ensinam que a salvação é obtida por uma combinação de fé mais as obras.
Em outras palavras, as seitas ensinam que a vida eterna só pode ser obtida com base no cumprimento de uma determinada exigência de boas obras ou serviço prestado a organização em questão.
O desafio do cristão, é levar o adepto de seita a deixar de confiar nas próprias boas obras ou obediência para salvação, e esclarecer que somente pela fé em Jesus a vida eterna é recebida.
Freqüentemente um cristão declarará as palavras de Paulo em Efésios 2:8-10, Tito 3:5, ou os capítulos 3 e 4 de Romanos para documentar a doutrina bíblica de salvação só pela fé.
Mas, neste momento quase todo adepto de seita--seja ele Mórmon, Testemunha de Jeová, Espírita,etc--citará Tiago para defender a convicção deles de que as obras são necessárias para salvação.
O Ensino dos Apóstolos
Paulo diz que Deus é o,"... justo e justificador daquele que tem fé em Jesus...o homem é justificado pela fé sem as obras da lei. (Romanos 3:26-28).
Porém Tiago declara, " Vede então que o homem é justificado pelas obras, e não somente pela fé."(Tiago 2:24).
Ao testemunhar a um adepto de seita, os cristãos deveriam estar preparados para lidar com esta aparente "contradição" . A natureza do Evangelho depende de uma compreensão adequada da fé e obras em relação a salvação.
Justificação por Fé
O tema principal das cartas de Paulo é que a salvação é um presente totalmente gratuito-- não ganho por boas obras, rituais, ou obedecendo leis. Vida eterna é por graça pela fé.
Nos capítulos 3 e 4 de Romanos Paulo declara este princípio nada menos que quinze vezes.Alguns exemplos são:
" Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda a boca esteja fechada e todo mundo seja condenável diante de Deus. Por isso nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o pleno conhecimento do pecado."(Rom. 3:19-20).
" Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus." (3:24).
" ...Creu Abraão a Deus, e isso lhe foi imputado como justiça. " (4:3).
" Mas aquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é imputada como justiça. ". (4:5).
" ...Deus imputa a justiça sem as obras, " (4:6).
"Portanto é pela fé, para que seja segundo a graça,..." (4:15).
Justificação através de obras?
Porém, quando alguns lêem Tiago acham o que parece ser uma contradição direta no princípio apresentado por Paulo. Tiago declara:
" ...que aproveita se alguém disser que tem fé e não tiver as obras?Porventura, a fé pode salvá-lo?(Tiago 2:14).
"Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma"(2:17).
" Mas, ó homem vão, queres tu saber que a fé sem as obras é morta?" (2:20).
" Vede, então, que o homem é justificado pelas obras e não somente pela fé ". (2:24).
Este conflito aparente entre as duas epístolas causam confusão em muitos cristãos quando os adeptos de seitas apontam a Tiago como " prova " que ele tem que trabalhar para ganhar a salvação.
Como um comentarista, Dr. D. Edmond Hiebert, observa, " Este parágrafo [Tiago 2:14-26] é um do mais difíceis, e certamente a maioria entendeu mal essa seção da epístola.
Foi uma batalha teológica fundamentada; Tiago freqüentemente é compreendido como contradizendo a Paulo, que ensina que a salvação é unicamente pela fé sem as obras " (A Epístola de Tiago, D. Edmond Hiebert, pág., 174).
O reformador Martinho Lutero, o campeão de salvação pela fé, uma vez até mesmo chamou o livro de Tiago " uma epístola de palha" por causa desta passagem difícil.
Enquanto alguns críticos apontam esse texto de Tiago como um exemplo de contradição na Bíblia, um exame profundo não mostra nenhuma contradição entre Romanos e Tiago--Paulo e Tiago criam no mesmo Evangelho.
Entendendo Tiago

Tiago e Paulo falavam de assuntos diferentes,enquanto em Romanos, Paulo está compartilhando a verdadeira natureza do evangelho(Romanos 1:9,15,16-17),deixando claro que a salvação é unicamente pela fé em Cristo, o que exclui automaticamente a idéia de justificação por obras tão comum entre muitos judeus(Romanos 3:30). E em Gálatas deixa claro que do começo ao fim a salvação depende unicamente da fé, refutando assim um falso evangelho de que a "fé é apenas o começo da salvação e as obras complementam essa salvação"(Gálatas 1:9, 3:2-5, 5:1-5). Tiago em sua epístola trata de questões práticas, que envolvem os relacionamentos entre os cristãos (Tiago 2:1,14, 3:1, 4:1). Tiago não visava fazer uma apresentação do evangelho como Paulo em Romanos, e a defesa deste como em Gálatas, mas procurava despertar muitos crentes da passividade em que se encontravam, para uma atitude cristã prática, fazendo eco as palavras do apóstolo João: "Quem, pois, tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitado, lhe cerrar o seu coração, como estará nele o amor de Deus? Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade" (I João 3:17-18). Certamente Tiago não estava pregando um outro evangelho, dizendo que a salvação dependia de fé mais obras, mas estava "puxando a orelha" daqueles irmãos que descuidavam de questões práticas tais como:"tratar todos de maneira igual(2:1,9)", "ajudar os necessitados"(2:14-16), "evitar as difamações e todo mau uso da língua"(3:9-12), e "as contendas"(4:1). Qualquer que seja o ensino de Tiago, com certeza não foi de contradizer a Paulo e de atacar o verdadeiro evangelho. Olhando para os nossos dias vemos que a situação que Tiago descreveu é muito parecida com a que convivemos. Quantos cristãos que "falam, mas não praticam" ou vivem uma espiritualidade nas "nuvens sem colocar os pés no chão", como por exemplo: dizem que vão "orar por aqueles que estão passando necessidade e não ajudam", ou que, "querem crescer no conhecimento mas não 'arregaçam as mangas para dedicarem-se ao estudo e leitura da Bíblia' ", ou até mesmo "querem receber poder de Deus, mas não se dispõem a buscar, se consagrar e ter uma viver de oração".
Tratando de questões práticas, Tiago ao utilizar as expressões "justificação" ou "salvação" tem em vista não uma "justificação ou salvação diante de Deus" que é o cerne do evangelho, e a preocupação de Paulo(Veja Romanos 4:2), mas a "justificação e salvação diante do homem", afinal os homens só enxergam o que está diante de seus olhos, e não conseguem "ver a fé". Veja abaixo:
"...mostra-me a tua fé, sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras."(2:18)
As palavras "salvação e justificação" possuem significados diferentes quando usadas por Tiago. Alias, em toda a Bíblia estas duas palavras nem sempre são relacionadas a redenção eterna.(veja: I Timóteo 2:14-15; Números 14:30; Ester 2:14; Lucas 9:13; Romanos 14:14; I Coríntios 7:5; Mateus 11:19; Gênesis 44:16; Atos 19:40,etc) Há uma diferença entre quando Deus justifica e salva um homem, e quando um homem se justifica e é salvo aos olhos de outros. Quando lhe digo: "justifique-se", estou lhe pedindo que se justifique, prove a mim algo sobre a natureza de suas ações, lhe pedindo para mostrar algo. E quanto a "salvar-se" diante de alguém, é agir de acordo com aquilo que digo. Quando lhe digo que "a única maneira de se salvar diante de determinada situação, é procurando consertar determinado comportamento". Estou dizendo que tal conduta preservará o teu testemunho diante daquele que lhe observa. Em outras palavras, "salvar" e "justificar" em Tiago nada tem a ver com a salvação e justificação diante de Deus, que é a mensagem do Evangelho. Quando Deus salva e justifica um homem, Ele não pede para o homem fazer algo ou lhe mostrar alguma coisa, mas Ele lhe dá algo, lhe dá a retidão. Justificação é completamente realizada por Deus, gratuita, algo que não merecemos, envolve uma retidão imputada aparte de obras, não tendo nada haver com a retidão da própria pessoa(Romanos 4:5,6,17-25). Tiago deixa claro que ele tem em vista um significado diferente de Paulo, quando cita um período da vida de Abraão(Gênesis 22) diferente da que Paulo citou(Gênesis 15).
Abraão foi justificado na incircuncisão(Romanos 4:11; Gênesis 15:6), e em Gênesis 22 ele já estava justificado diante de Deus e circuncidado, Deus o provou na fé que ela já tinha, o que serviu de exemplo para nós. Quanto a Raabe, ela já havia sido justificada diante de Deus pela sua fé antes mesmo de esconder os espias de acordo com Josué 2:11. Os espias precisavam ver a atitude dela, enquanto que Deus já lhe conhecia o coração. (Veja Samuel 16:7) Acreditar que Deus precisa ver as obras de alguém para que esse seja salvo é reduzir a Sua onisciência, desonrando a Sua Pessoa, além de admitir que as obras são necessárias para a salvação(se não antes, ou depois).
Tendo por base o que já vimos anteriormente, concluímos que a "fé" mencionada por Tiago não é uma "fé salvadora", mas uma fé intelectual, o que é confirmado quando ele menciona que até mesmo os "demônios crêem e estremecem"(2:19), e "se alguém disser que tem fé"(2:14), enquanto que a "fé salvadora é uma questão de crer com o coração e receber"(João 1:12; Romanos 10:10). Como James Adanson mostra a palavra fé(pisteuo)"...às vezes é usada para significar mera convicção intelectual na existência de Deus, uma fé que até mesmo os demônios compartilham.(A Epístola de Tiago, O Novo comentário Internacional do Novo Testamento, página 125) A fé que devemos ter em nossos relacionamentos com os irmãos, deve ser uma fé viva, que é acompanhada de ação, e não uma fé teórica, que "fala, mas não pratica"(Tiago 2:16-17,26)
A verdadeira natureza da graça
A Graça é o favor imerecido de Deus, é algo que Deus nos dá e que nós não merecemos. A Graça exclui automaticamente a questão da justiça pelas obras diante de Deus porque "se é por graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça"(Romanos 11:6) e "não aniquilo a graça de Deus; porque se a justiça provém da lei, segue-se que Cristo morreu debalde."(Gálatas 2:21)
Podemos afirmar que a salvação é do começo ao fim pela graça,sem a participação humana para manter a mesma. Somos salvos e nunca poderemos pagar essa salvação, nenhuma obra por mais louvável que seja pode se igualar ao sacrifício único e eterno do Senhor Jesus. Algumas seitas afirmam que a fé é o primeiro passo para a salvação e as obras são a forma de prová-la e mantê-la, no entanto isso é incoerente com o testemunho da Bíblia. Não pagamos pela salvação, nem a vista e muito menos à prazo! (Veja Romanos 1:17; I Coríntios 15:10; Gálatas 3:2-5) Se fosse o caso das obras garantirem a salvação, então àqueles que chegarem ao céu poderiam gabar-se diante do trono de Deus dizendo:"Cristo morreu por me salvar, mas eu garanti minha salvação através da vida que vivi. Assim eu mereço crédito por estar aqui." Pelo contrário a salvação tanto na obtenção como na conservação, depende inteiramente de Deus e da Sua graça, e Deus não compartilha Sua glória com ninguém(Isaías 42:8 e 48:11).
Boa conduta ou boas obras são encontradas nas mais diversas seitas. Se essa fosse a base para a justificação, teríamos então uma porta larga para a vida eterna. A questão fundamental quanto a vida eterna não é aquilo que fazemos ou mostramos para Deus, mas aquilo que Ele fez e mostrou para nós em Cristo! Como filhos de Deus, salvos, devemos nos relacionar de maneira adequada com os nossos irmãos, na comunidade cristã, crendo e falando, mas também vivendo, este é o ponto levantado na epístola de Tiago, e também nas epístolas de João, não é uma questão de salvação eterna, mas de comportamento cristão.
A "lista de trabalhos necessários para salvação" varia de seita para seita. Um adepto de seita sentirá freqüentemente que a salvação dele está baseada em todos ou algum(s) dos seguintes ítens:

Dinheiro, dando dízimos

Participação em rituais secretos

Se privando de certas comidas ou bebidas

Por distribuição de literatura

Vendendo quinquilharias ou flores

Recrutamento de novos adeptos

Observando certos dias

Obedecendo os Dez mandamentos

Batismo pela organização

Por fazer parte da seita

Se privando de tratamentos médicos

Lealdade e obediência aos superiores

Contato limitado com ex-adeptos ou outros fora do grupo

Adotando costumes humanos, tais como "as mulheres não cortarem os cabelos", "usarem roupas longas" ou "rejeitando o uso de cosméticos", ou "não assistirem televisão", entre outras coisas.
Embora alguns dos ítens citados acima,os cristãos devam praticar, no entanto nenhum deles ajudam a ganhar ou manter a salvação. Salvação é um presente gratuito (Tito 3:5). Se alguém estiver confiando em quaisquer destas boas obras para lhes ajudar a ganhar ou manter a salvação, eles demonstram na verdade que não confiam completamente em Jesus como o Salvador deles.

 

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